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Rankings universitários, um jogo de sinalização?

Proliferam os rankings universitários. Um estudante que se encontre indeciso sobre o local onde deve investir o seu tempo na obtenção de um curso, tem ao seu dispor um largo rol de possibilidades de escolha pelo mundo fora e o custo de pesquisa associado a identificar e classificar esta larga listagem é claramente proibitiva para um agente racional. Esta existência de custos de pesquisa motiva o surgimento de serviços de ranking por parte de várias instituições, gerando compreensivas listas que enumeram e classificam diferentes instituições numa forma ordenada, conforme diferentes indicadores. Dada a diferença de metodologias de classificação, um curso numa dada instituição pode assumir diferentes lugares (claramente divergentes) de ranking para ranking, podendo levantar a questão da sua utilidade e mérito.


Do ponto de vista das instituições de ensino, a existência de rankings pode assumir-se quase como um jogo de sinalização, onde as mesmas têm a opção estratégica de investir na qualidade do seu ensino, ou pelo menos, em métricas que sejam valorizadas por avaliadores, e suportar o custo associado, ou de não o fazerem, evitando o custo na sua totalidade ou parte. Embora muitas instituições de ensino sejam de carácter público, não tendo como seu objetivo final a obtenção de lucro, num cenário geral de constrangimentos de financiamento, estes agentes têm que gerir de forma integrada, as suas disponibilidades financeiras, sendo estas, em parte, influenciadas pela procura por parte de estudantes (basta-nos pensar que, no limite, se o curso não for procurado, o mesmo pode ser terminado). Assim, as instituições precisam de ponderar o ponto ótimo entre dispêndio em “qualidade”, medida pelas métricas relevantes consideradas em rankings, e o benefício futuro de atraírem maior número de estudantes. Assim, um investimento com o objetivo da melhoria da instituição em diversos rankings sinaliza a futuros utilizadores a sua diferenciação e qualidade de serviço.

Do lado dos consumidores, a existência de rankings diminui de forma elevada os custos de pesquisa enfrentados, assumindo claro, que os mesmos são idóneos e que avaliam de forma correta a qualidade do ensino das instituições. Considerando que este pressuposto se encontra validado, a ação do consumidor deve passar por entender o que o ranking avalia, devendo o mesmo privilegiar as dimensões avaliadas que considere terem maior impacto na sua utilidade individual.

Muita da discussão associada à existência de classificação através de rankings passa pelas dimensões avaliadas, muitas não sendo consideradas como uma avaliação direta da qualidade de ensino de uma instituição, pois métricas indiretas como número de estudantes por professor, qualificações médias dos professores ou remunerações médias após término dos ciclos de ensino escondem, por vezes, assimetrias de elevada dimensão. Da mesma forma, considerando os rankings como formas de sinalização, esta característica pode levar ao enviesamento do comportamento dos agentes, levando-os a investirem de forma sobre ótima em dimensões que sabem, a priori, serem valorizadas e de forma subótima, em dimensões que influenciam de forma direta a qualidade do ensino. Da mesma forma, a existência de uma classificação, mesmo que elaborada de forma enviesada, penaliza categoricamente cursos e instituições que sejam colocadas no fundo da mesma.

No entanto, a existência de custos de pesquisa e incerteza na esfera dos consumidores, leva a que a sua utilidade aumente ao terem conhecimento de maior rol de escolha, permitindo-lhes de seguida, confirmarem as expectativas geradas pela consulta de determinado ranking. Desta forma, mesmo considerando a possibilidade de enviesamentos do investimento por parte das instituições, o ganho indireto proporcionado por estes, no mínimo, pela maior exigência dos consumidores quanto ao serviço prestado e, também, dados os ganhos de utilidade pelos consumidores, pode-se considerar que a sua existência pode melhorar o matching entre ambas as partes deste mercado.

Luís Machado

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