Avançar para o conteúdo principal

O melhor presente de Natal

Eu não sei se sou o único, mas no que diz respeito a dar presentes, sou um desastre. Ainda não cometi a gafe de oferecer a alguém o que a pessoa me ofereceu no Natal passado, mas continuo a ser péssimo a oferecer prendas. Por isso, este ano, decidi desafiar-me a mim próprio e encontrar o melhor presente de Natal de sempre.


A primeira ideia que me surge é algo que esteja ligado à solidariedade. Metade do valor para oferecer, metade para doar a uma boa causa.

Mas meias à parte e sem intenções de ofender ninguém, é um pouco hipócrita da nossa parte lembrarmo-nos daqueles que mais precisam só nesta altura do ano. Eles precisam da nossa ajuda o ano todo, não é verdade?

Na ótica da minha avó, uns boxers e umas meias novas seriam o presente ideal! É claro que as meias também vinham acompanhadas de uns chocolates, mas o que era feito da alimentação saudável que eu prometi que ia ter em 2017? Ainda bem que 2018 está quase aí. 

Também posso oferecer livros. São sempre uma boa forma de oferecer viagens bem económicas sem tirar ninguém do conforto de casa. Mas, no último Natal, fiquei todo emocionado quando a minha tia me ofereceu um livro do Pedro Chagas Freitas e não vinha com talão de troca. Sendo assim, prefiro não arriscar.

Para tentar colocar um fim às minhas dúvidas e acabar com a minha missão, pedi ao meu pai para me falar do Natal dele, quando ele tinha a minha idade. A resposta surgiu pouco tempo depois de o ouvir.

As melhores memórias, que ele guarda do Natal dele, há mais de 30 anos, não estão associadas às prendas que estavam dentro da meia que ele deixava na lareira na véspera do grande dia. Tanto que essas prendas não eram mais que um chocolatinho simbólico e humilde que os meus avós conseguiam comprar com muito esforço.

Aquilo que realmente o marcou foram os momentos de compaixão à mesa, as histórias que se contam que começam sempre por “lembras-te daquele dia em que...” e a ligação forte entre pessoas que sentem compaixão entre si. O Natal é estar em família!

Por isso, o melhor presente que podes dar a alguém é estares presente. É ouvires o que essa pessoa te tem a dizer, partilhares com ela aquilo que sentes e, assim, repartires um pouco de empatia. É estares ali para quem está sempre lá para ti! 

Por fim, nunca te esqueças disto: mais vale faltarem prendas debaixo da árvore do que faltarem pessoas à mesa. 

Um Feliz Natal para ti, na companhia daqueles que tu mais amas!

Francisco Carneiro



Comentários

Mais lidas

A Insustentável Leveza do Ser

Se Kundera e Nietzsche tivessem tido oportunidade de tomar um café e conversado sobre a vida, o resultado teria sido provavelmente algo semelhante à “A insustentável leveza do ser”. Por essa razão alerto desde já para a minha incapacidade, enquanto mera mortal, de fazer jus ao que é provavelmente a obra-prima de Milan Kundera. Não obstante, aqui ficam algumas reflexões. O que torna este livro único é a sua capacidade de juntar filosofia, política e história num único romance. Partindo do conceito de Eterno Retorno , de Nietzsche, passando pelo Existencialismo, de Sartre , a té à filosofia pré-socrática, de Parmênides, Kundera explora a complexidade do ser humano. À vertente filosófica e altamente refletiva junta-se o pendor histórico e político que serve de pano de fundo ao romance. Toda a narrativa se desenrola entre 1968 e 1980, período da Primavera de Praga, em que a União Soviética invade a Checoslováquia. É nesta conjuntura conturbada, que se desenrola a ação das quatro p...

Esta é a Voz…

Desde os primórdios da civilização que o ser humano mostra necessidade de expor cenicamente os seus dramas pessoais e vicissitudes existenciais. É também, pela sua natureza, um ser que é insatisfeito, tentando diariamente testar os seus limites aos mais variadíssimos níveis. A simbiose destes elementos traduz-se na criação de reality shows , programas televisivos fast food , de consumo instantâneo e de satisfação momentânea. São programas com um nível cultural baixo, que pretendem captar a atenção dos espectadores através de tarefas e desafios propostos aos participantes que desencadeiam reações, atitudes e conflitos entre eles. Arriscar-me-ia a dizer que um reality show  é, à semelhança da experimentação em animais irracionais, um método de análise comportamental através da aferição de reações em situações e contextos variados. Será este formato de programa tão diferente de testar um fármaco num “ratinho”? Existe alguém a manipular a experiência de parte a parte, contudo, n...