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Os Jovens e a Europa

Vivemos um período de mudanças a nível europeu. As crises económicas, financeiras e sociais dos últimos 10 anos e, em particular, as crises que se acumularam no passado ano de 2016: a crise dos refugiados, o Brexit e o crescente sentimento de descontentamento com as instituições europeias, levaram a que o projeto europeu se encontrasse numa das situações mais difíceis e desafiantes da sua história.



No entanto, os últimos meses têm sido encorajadores para aqueles que acreditam e defendem o projeto europeu. Recentemente, temos visto Jean Claude-Juncker, presidente da Comissão Europeia, e Emmanuel Macron, presidente francês, a realizarem discursos em que lançaram importantes ideias para o futuro europeu, do comércio à segurança, do euro às migrações e do clima a uma união mais democrática. Assim, um dos pedidos que mais têm sido feitos, é uma maior mobilização da sociedade e, em particular, dos jovens.

Os jovens têm sido, em Portugal e por todo o mundo, acusados de falta de participação na política e de pouca capacidade de mobilização. A geração do “Millennials” é constantemente acusada de egoísta e imatura. No entanto, não é isso que vejo. E para confirmar esta minha opinião vou-vos contar como foi a minha experiência no “1º Summer CEmp” organizado pela Representação da Comissão Europeia em Portugal.

O “Summer CEmp” teve lugar em Monsanto, a aldeia mais portuguesa de Portugal, entre 29 de agosto e 1 de setembro de 2017. Teve a participação de 41 jovens portugueses interessados no projeto europeu e das origens mais diversas, tanto sociais e políticas como académicas. Este campo de verão, intenso, repleto de atividades, das 9h da manhã às 11h da noite, teve a presença de mais de 40 palestrantes e moderadores em 30 eventos diferentes, entre eles o comissário europeu, Carlos Moedas, e numerosos jornalistas, políticos e empreendedores. No “Summer CEmp” juntou-se um grupo de jovens interessados, ativistas e participativos, que criaram um fantástico ambiente de diálogo e de amizade, repleto de sonhos e de visões para o futuro.

O nosso grupo de jovens respondeu, assim, ao apelo dos políticos e derrotou - com ideias, projetos e respeito à liberdade de expressão - o espírito eurocético, xenófobo e racista que tem surgido na sociedade atual. Este movimento não é local nem efémero. O “1º Summer CEmp” é só um exemplo ao qual é possível adicionar muitos mais, como o Corpo Europeu de Solidariedade, criado há menos de um ano e que reúne jovens em iniciativas de voluntariado, por toda a Europa, em benefício das comunidades locais e daqueles que, com quase nada, chegam às costas europeias. Ou ainda, como a “Pulse of Europe”, entre outros movimentos europeístas que, criados pela sociedade civil e sem filiação partidária, cresceram de forma exponencial por toda a Europa, especialmente devido à participação de muitos jovens europeus.

Este movimento por parte dos cidadãos europeus tem sido um claro sinal aos líderes das instituições europeias, numa altura em que se projeta o futuro da Europa pós-Brexit e o calendário para os próximos 18 meses. Trata-se de um verdadeiro “roteiro europeu” planeado pela Comissão e o Conselho Europeu e em que se abordarão os mais importantes desafios que se deparam à U.E., começando no Discurso Da União do Presidente Juncker, que teve lugar no dia 13/09, e culminando em maio de 2019, com a Reunião Extraordinária do Conselho Europeu em Sidibu, Roménia, e as eleições para o Parlamento Europeu. Assim, parece-me claro que o número crescente de ações a favor de uma Europa mais forte, mais inclusiva, mais unida e mais próxima dos cidadãos tem levado a um reforço dos esforços dos políticos europeus e a uma mudança clara das suas agendas e prioridades. A mensagem que estes têm recebido é clara: o momento de mudança é agora, precisamos de mais Europa e de decisões políticas rápidas e eficazes.

Concluindo, o futuro que prevejo à Europa é positivo. Acredito que a União Europeia será capaz de ultrapassar muitos dos seus desafios e, desse modo, regenerar-se e aproximar-se mais dos seus cidadãos. Na minha opinião, a força regeneradora da Europa será a juventude europeia, uma juventude qualificada, viajada, participativa e, acima de tudo, com um espírito europeu e fundamentalmente democrático. 

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